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Um anjo de vestido. Uma libido do cacete.


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

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    Kibe Loco



    26.1.07

    Segue o Fluxo.

    Conversando com a minha mãe e ouvindo belas verdades descobri como sou antagônica.
    O que me desmascara é a Mulher da Pizza.
    Quem me conhece acha que eu não estou nem aí pro que os outros dizem, pro que falam, pro que pensam.E quem lê a mulher da pizza, descobre a verdadeira faceta: que eu quero o que todo mundo quer.
    Parei pra pensar, então, porque sou assim tão contraditória.
    Eu já sofri sim, por amor, Já chorei. E só uma pessoa me fez perder a fome nesses 18 anos. Todos nós temos problemas, indecisões, vontades e medos... Não acho que nem eu nem ninguém temos que andar com uma placa pendurada no pescoço dizendo o que é o que. Tenho de ser misteriosa, senão como é que o Mandioca vai me achar atraente aos 80 anos?
    Não sei deixar de ser. Sou impulsiva.
    Não vou dizer que eu não ligo, eu digo o que eu sinto e o que eu sou.
    Meia mulher da pizza acha que devemos nos arrepender daquilo que não fizemos. Meia mulher da pizza acha que talvez fosse bom um pouco de autopreservação.
    Essas situações exageradas me tornaram o que sou hoje. Ainda impulsiva e várias vezes inconseqüente. Porém me considero uma pessoa bacana e boa companhia. E sei que sou mais forte e mais dura do que antes e que pra me atingir precisa se esforçar um pouco mais.

    Torci pra ter alguém. Aquele alguém por quem eu tanto sofri, que me tirou a fome, que me fez perder a vontade de dormir e me fez rezar para morrer. E me foi preciso fugir, perder todos os tipos de contato, precisou de uma psicoterapia avançada pra que chegasse aqui. E se ainda amo? Ah, amo... Amor por alguém que só participou da minha vida por uma estação, porque na minha vida eu sou a protagonista e também a pessoa que decide se vou rir ou chorar.
    E nessa fuga aprendi a me valorizar. Sempre amei o outro com tudo o que eu podia. Dizem que o primeiro amor é o amor-próprio. Amor próprio? Dignidade? O que é isso?
    A verdade sempre vem bater na porta a gente tem, ou não, vontade.
    Passei noites pensando, chorando, me identificando com músicas do Wando. Não sei se cheguei ao fundo do poço. Não fui mandada pra uma escola só de meninas no leste do Estado. Nem virei o Bira de Páginas da Vida. Engoli toda a mágoa, toda a raiva, toda à vontade de mandar o mundo à merda e segui adiante.

    E isso, caro leitor, foi o que fez toda a diferença do mundo.

    Ocupe sua cabeça. Perdida, virei a curva do rio. Puta merda.
    Foi quando me falaram que as coisas começariam a andar se eu parasse de pensar no esquema “o que cair na rede é peixe”. Toda mulher tem esse defeito, considera qualquer Zé ninguém como namorado em potencial. Mas se os hábitos de todo uma vida só me levaram a um lugar, vamos radicalizar. Risquei todos os homens comprometidos da minha vida e no mesmo instante todos eles me queriam.

    E foi aqui, exatamente aqui, que apareceu o Mandioca.

    Ele veio chegando de mansinho, do nada, de surpresa... Ele e a brilhante aliança dele. Veio com o mesmo papo dos outros. E com a paciência de uma professora primária expliquei o porque não ficaria com ele, se eu o conhecesse numa festa e soubesse que jamais o veria novamente ficaria com ele numa boa, mas que meu grande problema é que me apaixono pela convivência.
    Confesso que o fato de eu não estar muito afim facilitava a decisão.
    Então numa segunda-feira ele falou que havia terminado o namoro. Poxa, quebrou minhas pernas. Procurei uma nova desculpa e então... Porque não? O que impede agora?
    E ali começou o que hoje já é.
    Ele chegou de mansinho, do nada, de surpresa... Um beijo ali, um abraço acolá. E um fim de semana firmou o começo de alguma coisa que se define com cinco letras, por enquanto. E de tentar manter em segredo, todo mundo já sabe. E eu agora já estou naquela fase de querer falar pro mundo, e de só falar disso. O mundo ta mais colorido e ele ta no telefone me dizendo que é pra eu ficar tranqüila, que se depender dele eu vou viver morrendo de fome.
    É, ele ta se achando, só porque fisgou a gostosona aqui. O peito deve estar estufado, mas não tem problema, contanto que só eu encoste a cabeça ali mesmo.

    Conversando com a minha mãe e ouvindo belas verdades observamos que basta eu me apaixonar por alguém que eu brigo com todo mundo em casa.
    Mas pega nada, já fiz as pazes com a família e to me sentindo bem pra caralho.
    Isso se chama Efeito Mandioca.

    E segue o fluxo.

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 08:30