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9.1.08
Conto de Fadas
Começou que eu gostava do Peteca e ele gostava da Taiane. Ficávamos juntos por dois motivos distintos: o amor-própio há muito me abandonara e a Taiane não o queria. Peteca gostava de mim, já eu... Era completamente, perdidamente, descabeçadamente apaixonada por ele. E assim levávamos uma relação praticamente ininterrupta de dois anos.
Chegou então o fim do mês de outubro do ano de 2007, num de nossos telefonemas diários Peteca me diz, com a felicidade dos acéfalos, que conseguiu folga em seu trabalho para todo o feriado do dia 15, 16, 17 e 18 de novembro e que enfim ia viajar com a Taiane. Senti um barulho ensurdecedor e percebi que era meu coração que tinha desabado.
Recolhendo meus destroços e procurando o Super Bonder, comecei a pensar nas alternativas. O que? Eeeeu? Ficar em casa o feriado todo pensando nos dois na praia, nos dois no mar, nos dois escrevendo um coração na areia? Não, meus caros. Eu não. E ali, exatamente ali, ainda com o telefone na orelha, cerca de dois minutos depois da bomba ter se explodido em minha alma, tomei minha decisão. Ligaria pra PUC no dia seguinte. Eu iria pra esse tal de Economíadas, seja lá o que fosse.
Dias se passaram e bandeiras de guerras foram armadas aqui em casa. Minha mãe implorava por misericórdia, mas aguentei firme, com bravura e continuei, pois eu sabia que lá eu encontraria a minha salvação: Cachaça e Putaria.
E enfim a noite de 14 de novembro chegou. Nada de extraordinário estava acontecendo. Pra falar a verdade eu queria ir pra casa dormir. Mas persisti, e ainda pra ferrar tudo, acabei tendo que ir num ônibus diferente, longe das únicas três pessoas que eu conhecia. Chegando lá, tive o choque de saber que eu não tinha barraca, pois o Marcos havia arrumado uma barraca que cabia ou eu ou ele. Sentei em cima da minha mala gigante pensando em como matar o Marcos.
Foi então que comecei a reparar no mundo ao meu redor. E vi um rapazinho, um tanto maior que eu, todo preocupado em montar a sua barraca. Como ele era conhecido ali, logo percebi que era engraçado demais. Eu não tinha percebido, mas com ou sem interesse em sua barraca, eu já tinha tido uma quedinha pelo cara. Esperei ele terminar sua obra e descobri que ele dormiria sozinho naquela cabana para SEIS pessoas. Reuni toda a minha cara de pau e perguntei ao Chico se podia dormir na barraca dele.
Uma vez dentro da barraca com meu colchão arrumado do lado direito e o dele do lado esquerdo, tomei a iniciativa de uma conversa. Avisei pra ele que ia dormir, mas que ele podia ficar tranquilo, que não era maníaca e que não ia atacá-lo sexualmente. Na qual ele me achou estranha, mas foi com a minha cara.
No dia seguinte, acabamos conversando bastante. Não só por ele ser gente boa, mas também porque eu não conhecia nada, nem ninguém. Não podia depender do Tiago, do Marcos ou do Danz, tinha que fazer amizades, era grandinha. Eles não podiam me pegar pela mão e falar "oi, você pode brincar com ela?".
Um dia se passara e eu tive certeza de uma coisa, embora não soubesse muito como agir. Eu queria ficar com ele. Naquela noite mesmo, dormimos um olhando pro outro e de mãos dadas. E ainda dizem que eu não tenho inocência. (e depois soltamos as mãos e tratamos de dormir, porque o Danz entrou na barraca e dormiu entre a gente).
Nos dias seguintes tratamos de nos empenhar na tarefa principal: beber. Dá-lhe cerveja na veia. E aconteceu que acabamos ficando muito juntos, sabe Deus porque. Era pra ele que eu contava minhas piadas, por mais toscas que fossem. Então, lá pelo fim da tarde, onde já havíamos consumidos juntos cerca de 20 latas de cerveja, chega o Cordeli, que também já estava perto de Marrakesh, e mandou que eu e o Chico déssemos um selinho.
Me vi entre a cruz e a calderinha. E se eu virasse em sua direção fazendo biquinho e ele não quisesse? E se eu desse as costas e depois descobrisse que ele queria? Olhei pra ele de rabo de olho. O Cordeli percebeu e já arrancou minha máscara falando "olha lá Chico, ela quer". O nervoso me consumia a ponto de eu estar voltando a ficar sóbria. Então, sem demora o Chico se curvou e me beijou. E o selinho virou nosso primeiro beijo.
E eu, que fui pra perder a cabeça arrumei, em dois dias... Um Pulha. Continuamos juntos, acreditem... E hoje, ele é peça essencial para que meu dia seja, no mínimo, normal. É nele que eu penso quando abro o Kibe Loco e o Jacaré Banguela de manhã. Ele que me mostrou um pouco da loucura que eu sempre quis ter. 
E sei que essa dorzinha aqui dentro, pela partida dele, que é só em março, é sofrer por antecipação e até ser meio ridícula porque eu mesma vou em julho. Acontece que encontrei nele, uma coisa que procurava há muito tempo, e esse foi meu maior erro. Não me segurei e me apaixonei...
E agora me meti nessa encrenca nova. Eu no Canadá e ele na Austrália, com a promessa de que, quando voltarmos... Quem sabe...
Dito e feito por Mulher da Pizza. 21:48
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