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Um anjo de vestido. Uma libido do cacete.


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

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    Kibe Loco



    28.6.07

    Saco cheio

    Ando sofrendo da doença do século XXI.
    Não, não é o estress nem a depressão.
    É uma doença que afeta as namoradas que - por um motivo antes desconhecido - acabam por se apaixonar por um rapaz que tem a maturidade elevada e a porcentagem de responsabilidade igual à de uma mulher decente de 40 anos com 3 filhos.

    Chama-se:
    Namorando-Um-Cara-Que-Trabalha-Demais.

    Os sintomas dessa doença são bipolares. Você não sabe se ri e ignora ou se senta e chora. Não sabe se mata a pessoa ou se você a entende.

    No meu caso eu ando ficando quieta. Às vezes falo, dou uma indireta, mas na maioria das vezes permaneço em silêncio. Mais porque já to cansada do que por vontade. Antes eu ainda exclamava alguma negação, hoje me reservo apenas para calar e aceitar.
    Uma vez até reclamei, ouvi até coisas que eu não gostaria. Relevei e nada se alterou.
    Nem eu.

    O maior problema da doença são os danos que ela causa ao nosso corpo. O músculo cardíaco começa a bater mais devagar, devido à mágoa, o cérebro entende esse comando como depressivo e libera mais fluoxetina aos neurônios, estes por suas vez ficam atordoados pela overdose do componente e se incham, liberando assim, o hormônio do conformismo e o hormônio do “tsc”.

    “Mulher da Pizza, vou trabalhar no domingo a tarde”
    “tsc” (respiração profunda)

    Sei que tenho que entender... Que poxa, o mundo corporativo exige de nós a carne, o sangue e a própria alma. E que temos que correr pra estar sempre na frente. Que pra ser substituído é assim ó (estalo de dedo).

    E eu entendo. Relevo e em sua maioria levo na esportiva e saio pra fazer algo diferente com pessoas diferentes. Diferentes da que eu gostaria de estar.

    Quem dera fosse paranóia minha, e só eu reclamasse.
    E só me resta entender... E vai tudo indo, devagarzinho, à um lugar que eu não gostaria, mesmo que – por enquanto – eu só aceite a condição de ter você só pra mim.
    Ps: Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você, não vai me livrar de viver.
    Em itálico:
    Los hermanos
    Foto do filme Click

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 09:53