Balde!!
Todo dia eu faço tudo sempre igual. Me sacudo as 7h30 da manhã!
Não que eu realmente acorde as 7h30, mas é a partir deste horário que eu começo a ficar com peso na consciência, e como conseqüência, amaldiçôo a curvatura mundial.
Me arrasto até o banheiro, tomo meu banho, expulso a Filomena que está enfiando a cabeça no Box e bebendo água quente. Me enrolo na toalha, tomo meu yakult matinal e parto para a parte em que tomo a decisão mais importante do dia: Que roupa eu ponho, meu Deus? Calça escura, com alguma blusa, e um casaquinho. E sapato? Porque eu não posso ter um mundo de sapato? Mas ta chovendo, vou de bota.
Sempre, eu disse sempre, atrasada, saio de casa. Paro no mercadinho da esquina pra comprar uma Ana Maria, a miserável da caixa resolveu que àquela hora a boa é tomar um cafezinho, fazer um xixizinho, e dar um retoquinho na maquiagem! Vejo, pela janela, meu ônibus seguindo seu rumo. Rogo uma praga mental è atendente. Paciente, espero a mulher voltar, pago o bolinho com recheio de morango e caminho até ponto. Só eu e minha solidão. Lá de longe vejo o 577T, coletivo que eu odeio, mas que serve. Dou sinal, e quando a porta se abre... Aquele ambiente agradável, resultante de chuva + cheetos + torcida do corinthians. Ainda dá tempo de mandar o terremoto, Senhor!
Metrô. Ainda não é como o Londrino, mas pelo visto é o transporte do futuro, ou o menos pior. Ainda há civilização no Metrô Paulista. Tirando é claro, a estação Sé, Barra Funda e Paraíso. E eliminando também qualquer estação às seis horas da tarde. E só para endossar, fique bem claro que estou falando do metrô, o transporte do futuro, e não do trem - a Maria fumaça. No trem tem galinha! E não vou comentar nada sobre isto.
Irritada mesmo eu fico na estação Trianon-Masp. Porque diabos não tem escada rolante, lá? Todo dia útil subo três lances de escada, chego na avenida paulista suando (esteja o frio que estiver), com as pernas bambas e as batatas da perna choramingando (de salto alto, e algumas vezes, bem alto). Controlo a respiração e entro na recepção frigorífica do banco. O elevador não pára no quinto andar, então tenho que parar no quarto e subir, ou no sexto e descer. Vai do dia...
Hoje desci!
O meu trabalho, ultimamente, consiste em colocar o papel dentro do envelope e escrever o nome e número do contrato do cliente, no lado de fora. Coisa de peão mesmo. Coisa que um macaco aprenderia em duas horinhas de treinamento. E é aqui, que chega a parte em que eu chuto o pau da barraca.
Eu sou falante e dou risada de quase tudo que se mexe... E não é por isso que eu deixo de fazer o que me é dado. Mas como eu disse acima, o envelopamento não exige a menor concentração. E eu fico fodida com isso. Já estou fazendo o trabalho de um idiota, e faço porque sei que é só essa semana, e que logo mais vou mudar de área. Mas agora eu tenho que mudar o meu jeito pra poder mostrar comprometimento? Alguém me explica onde é que rir altera o volume do trabalho? Não que alguém tenha reclamado ou tenha vindo chamar a atenção. Ninguém chamou. Mas eu percebi pelo olhar de uma vaca! Se tem um negócio que eu detesto é mulher mal comida! Homem, tudo bem, eles sabem ser legais, mas mulher não. Se não é feliz, ninguém mais pode ser. Plantando a discórdia, é o lema.
Hoje então, resolvi fazer o teste. E me isolei do resto do mundo. Estou envelopando num cantinho abandonado. Umas cinco pessoas já vieram me perguntar se eu estou bem. Eu disse só que estou com sono. E que sono. Rir pelo menos massageava os meus músculos faciais, me fazendo acordar. Agora não, já fui no banheiro dormir dez minutinhos, e já que não estou mais massageando os músculos, vou ficar velha e caída! E imagina o meu nariz caído? Visualiza! Então eu tenho que ser uma madrasta velha pra ser considerada uma pessoa séria e comprometida dentro da companhia?
Estou cheia desses jargões corporativos, dessa vida, dessas concepções empreendedoras. De intrometidos. Cheia da opinião de gente que não tem poder nenhum, mas que adora enfiar o seu pausinho. Vou lhes dizer onde enfiar os seus pausinhos!! Mais do que nunca, tive tanta certeza de que eu não presto pra isso. Eu prefiro ter um salário menor, e falar pelos cotovelos fazendo uma coisa que eu goste. Do que ficar aqui, rica, solitária, vendo as gotas de chuva nas vidraças.
Comunicação, minha gente!! Comunicação!!
Francamente... Eu to de saco bem cheio de tudo isso e mais um pouco!