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Um anjo de vestido. Uma libido do cacete.


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

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    Kibe Loco



    12.12.07

    Por amor e despudor.

    Eu sempre achei que eu e minha puta vida já podíamos participar do quadro “Desabafo” do programa da Márcia Goldshimith. Para mim, aquelas mulheres contando suas histórias de como negou a família pobre e caiu no mundo das drogas e da prostituição, eram reles mortais que apenas não sabiam o que é sofrimento, mesmo, na pele.
    Já escutei coisas escrotas de gente escrota, e já perdoei todas as escrotisses em nome de um amor que me fazia plena, que me fazia flutuar perante aos leigos. Ou que me fazia sentir isso. Que patifaria! Mal sabia que a leiga aqui era eu. (Sempre tem um troxa na história)

    Fui trocada na cara dura por uma garota doida da cabeça e suicida, continuei levando uma relação por achar que aquelas palavras bonitas, para mim ditas, eram sinais de esperança. E eu achava que estava no fundo do poço. Que nada. Quando eu ouvi que se não fosse a doida suicida seria outra qualquer, eu percebi que existe o fundo do poço, 15 metros de cocô e láááá embaixo... Eu.

    Tenho que tomar no cu mesmo. Pra aprender dar à mim mesma, pelo menos, o valor mínimo descrito no Estatuto Feminino do Asnismo, ao qual pertenço.

    Deixei o tempo passar. Hora empurrei a relação com a barriga, hora cuidei com todo ocarinho rezando pra que dessa vez desse certo. Como eu quis que um dia ele olhasse pra mim e descobrisse o quanto nossa relação tinha valor, o quanto isso era certo nesse mundo todo errado. Mas não, isso nunca aconteceu. E mesmo parando de viver nesse mundo tópico, não me livrei do mal. Continuei tomando da droga, mesmo sabendo que o próximo passo seria vender o corpo. Deprimente, né?

    O pior de tudo nem é isso, é ser trocada por alguém doida da cabeça e chegar a pensar que, pelo menos, ela é bonita. E aí, como se não bastasse toda essa balburdia de relação, que no fim, é um nada... Você ainda encontra pela primeira vez a suicida na rua. Indescritível. Surreal. Preferia ter sido trocada por um pedaço de reboco caído, por uma sacolinha de mercado ao vento... Pra ver que aquilo ali era o motivo de tanto estardalhaço?? Mais que o cocô do cavalo do bandido, você se sente imprestável. Uma completa imprestável.

    Há suspeitas de um antídoto. Que se não me falha a memória inclui tesoura, vela e binóculo. É difícil, é uma merda, é a puta que te pariu. O cara sabe os pontos fracos, e sabe até em que tom de voz pedir as coisas para que você mude de idéia. Ele sabe do jeito que você gosta. Mas agora eu descobri a agulha no palheiro e vou gritar pra todo mundo ouvir. Pra mostrar a realidade nua e crua para mim mesma. Que eu não valho em como pedacinho de papel dobrado para fazer uma mesa parar de bambear.

    Olhando pra trás você pensa se dá pra acreditar no que um dia foi sua prioridade. Agora sei como os quarentões de hoje se sentem ao olhar suas fotografias dos anos 80 e ver que usavam blusas com ombreiras. Isso é pra aprender a não mexer com drogas pesadas.

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 21:24