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24.3.08
Finito
Não é que eu curta ter um problema. Eu curto ter uma boa história pra contar. E quem, senão eu?
A minha lógica é a seguinte: toda mulher que leva um fora sonha com um gesto que mostre ao ex que ela está muito bem, obrigada, não se sentindo humilhada e não está absolutamente com vontade de rastejar para um buraco úmido e escuro e nunca mais sair de lá. Na maioria dos casos esse gesto da mulher abandonada consiste em passar mais uma camada de maquiagem e vestir alguma coisa de laicra antes de ir para um local onde será vista, senão pelo ex, ao menos pelos amigos dele. Em seguida ela faz de tudo para se divertir como nunca. Por dentro pode até estar com vontade de se atirar sob as rodas de um caminhão, mas quem a vir entre paqueras e amassos a noite inteira jamais adivinhará.
Eu não sou assim, porém nada mata mais a minha alma do que levar um fora e ficar em casa. Não por eu achar que devia estar toda produzida e purpurinada pronta para matar. Não. Tento fugir da solidão e dos silêncios. Da lembrança, das palavras ditas, ouvidas e lidas. Das entrelinhas. Sou PHD em fugir do problema! Quanto mais eu puder adiar a tristeza, melhor. Nem que eu tenha que assistir McPhee - A Babá Encantada. Mas a gente sabe que não adianta muita coisa e que por mais que inventemos mil e um programas, vai chegar a hora que você vai ficar sozinha e vai querer morrer. Geralmente no ônibus indo pra faculdade, ou então de noite, zapeando os canais da Tv, ou então na rua, quando ouve sem querer uma piada...
É, caros leitores, reparem como a minha vida é uma comédia. Às vezes eu paro e penso se não é muito fútil da minha parte sentir imensa falta de alguém que só participou 4 meses da minha vida. O que fode tudo é achar que 4 meses é tão pouco que não dá pra mostrar nada e querer mais. É querer mostrar todos os sabores que a pizza possui e não poder. E dói. Dói saber que o Millos na sexta foi sensacional, e eu não estava lá. Dói saber que alguém não sente a menor falta, e francamente, não está nem aí. E dói ver uma lata de ervilha, dói escutar Armandinho, dói não poder ligar e contar que você mudou de jornalismo pra economia e que logo mais vai estudar com os amigos dele. Dói saber que tanto você como ele vão embora dentro de pouco tempo, e se as coisas continuarem como estão, um nem vai saber qual a data definitiva de partida do outro.  Dói mesmo não saber se ele ainda doaria um rim pra mim, caso eu precisasse.
Tem hora que eu paro e penso que o inferno deve ser uma casinha geminada de quatro aposentos com um Rover vermelho-escuro e hortensias desabrochadas na frente.
Dito e feito por Mulher da Pizza. 16:49
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