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Local: Sampa, Brazil

Um anjo de vestido. Uma libido do cacete.


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

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    Kibe Loco



    31.10.07

    Tempos Modernos

    Eu: Alô? Pai?
    Pai: Alô...
    Eu: Onde c ta?
    Pai: To em casa.
    Eu: Mas que barulho é esse? Você ta no banheiro?
    Pai: É que você está no viva voz
    Eu: Aí, que horrível. Bom, pai. To ligando pra falar um negócio. Na verdade eu já me decidi, então eu só quero o seu consentimento. Eu vou pro economíadas.
    Pai: Economiadas? O que é isso?
    Eu: Você tirou do viva voz, né? Economiadas pai, é uma viagem para os jogos universitários de que faz economia, administração e similares...
    Pai: E...?
    Eu: E eu to avisando né?
    Pai: Você vai competir?
    Eu: Eu? Lógico que não!! Vou assistir.
    Pai: Ah, você vai pra putaria.
    Eu: É, eu gosto de falar com quem entende das coisas.
    Pai: Onde você vai ficar?
    Eu: No alojamento
    Pai: AHAHAHAHAHAHAHAHA... Sexo, drogas e Rock n Roll...
    Eu: Ai paaai, lógico que não.
    Pai: Vocês não gostam de rock né?
    Eu: Ai paaii, e nem de drogas... E se eu falar que não gosto de sexo, não vai rolar né?
    Pai: Ééé, não cola, não....

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 00:08
    1 comments

    26.10.07

    Entre Platão e Plutão



    “É mais burra quem varia as burrices com o mesmo homem ou quem varia os homens com a mesma burrice?”
    Antânia (MB)

    Muitas foram as vezes em que entrei nessa onda popular de relacionamento aberto. No começo é A parada! É O esquema do momento. Eu sou A mina.

    As regras são bem simples: cada um pega o que quer que se mexa, que o outro vai estar sempre ali, para dar o colo necessário sem se importar de onde é que você veio, da sua precedencia. Uma relação saudável (saudável?) com alguém. E você também, esta ali pra quando der uma vontade de chamego nele.

    No começo é a festa da batata quente. E o melhor é que a batata quente é você! Você pula de mão em mão sem que ninguém esteja nem aí. E no dia seguinte, quando dá aquela carência, é só discar o número do bendito e falar algo do tipo “vem”. Se ele não tiver mais nada pra fazer, beleza, ele vai. Se ele estiver indo jogar futebol com os amigos, você vai ficar com a sua vontadinha e nem vai poder reclamar. Afinal vocês não devem satisfação um ao outro e tal, sem cobrança, cara! E a mesma coisa vai acontecer com ele, caso você não esteja afim. Mas quem se importa?? Não tem sentimento mesmo.

    O problema é quando tem sentimento e você insiste nisso só para receber migalhas, que viram banquetes. Cazuza já disse, raspas e restos me interessam. E o pior é quando você tem consciência disso e continua. Tipo eu! Você vai sambando na jaca sem nem ter tomado uma tequilinha. Você entra no buraco, com a esperança de que, dessa vez, o buraco não vai ser um poço sem fundo. Mas o que fazer, quando você vai descendo e percebe que não é bem assim... Você olha pro fundo, e tem quase certeza de que aquilo lá é a Samara. E ela ta de dando tchau.

    Na verdade é até engraçado quando acontece com os outros. Porque com os outros, é mais fácil dar conselho, e se aquela sua amiga não entender, você ainda a chama mentalmente de burra. Agora quando é com a gente, colééééga..!! Segura no abacaxi. Primeiro que a gente demora pra se dar conta de que ta pastando. E começa a notar coisinhas chatas. Você liga no celular dele, toca duas vezes e cai na caixa eletrônica. Ou seja, ele desligou de propósito, ou então, vai retornar a ligação. E nada! Depois ele te liga e fala “desculpa ter desligado, é que eu tava falando com a Vagem”. Você dá uma disfarçadinha... Mas fica puuuta! Como assim, você aí, dando sua vida por ele, e ele falando com a Vagem?

    Caaara, olha pra mim, eu sou Pizza!

    E perdão da palavra, mas não há mudanças nas regras, logo não tem como depois de meses você exigir, do nada, explicações e exclusividade. A vida é uma caixinha de surpresa, não é? Você pode terminar tudo e seguir em frente, procurar um cara legal, que te dê valor e todas as flores do jardim... Mas você não vai querer, ta? Você vai querer consertar tudo e tentar ser o ser humano mais legal que ele encontrará enquanto viver. E ele vai de adorar, acredite em mim. E não pergunte porque, que eu só digo que é tudo uma grande e gorda porcaria.

    E o pior de tudo, não é isso aí de cima, não! Lóóógico que não. Quando você cansar de ser a amiga que perdoa tudo e não exige nada, você vai se sentir o coco do cavalo do bandido, mas vai tomar uma atitude. Vai se retirar da vida dele... E quando começar a achar que ta bem, ele vai ligar e, desculpe desculpe desculpe!!!, você vai acabar ficando feliz, por pelo menos, ter alguma significância.


    Como diz a Pão de Queijo... Nós somos só aquelas azeitonas jogadas no canto da mesa, perto do maço de cigarros amassados, que o cara come enquanto a picanha que ele espera não vem.

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 23:31
    0 comments

    Balde!!

    Todo dia eu faço tudo sempre igual. Me sacudo as 7h30 da manhã!

    Não que eu realmente acorde as 7h30, mas é a partir deste horário que eu começo a ficar com peso na consciência, e como conseqüência, amaldiçôo a curvatura mundial.

    Me arrasto até o banheiro, tomo meu banho, expulso a Filomena que está enfiando a cabeça no Box e bebendo água quente. Me enrolo na toalha, tomo meu yakult matinal e parto para a parte em que tomo a decisão mais importante do dia: Que roupa eu ponho, meu Deus? Calça escura, com alguma blusa, e um casaquinho. E sapato? Porque eu não posso ter um mundo de sapato? Mas ta chovendo, vou de bota.

    Sempre, eu disse sempre, atrasada, saio de casa. Paro no mercadinho da esquina pra comprar uma Ana Maria, a miserável da caixa resolveu que àquela hora a boa é tomar um cafezinho, fazer um xixizinho, e dar um retoquinho na maquiagem! Vejo, pela janela, meu ônibus seguindo seu rumo. Rogo uma praga mental è atendente. Paciente, espero a mulher voltar, pago o bolinho com recheio de morango e caminho até ponto. Só eu e minha solidão. Lá de longe vejo o 577T, coletivo que eu odeio, mas que serve. Dou sinal, e quando a porta se abre... Aquele ambiente agradável, resultante de chuva + cheetos + torcida do corinthians. Ainda dá tempo de mandar o terremoto, Senhor!

    Metrô. Ainda não é como o Londrino, mas pelo visto é o transporte do futuro, ou o menos pior. Ainda há civilização no Metrô Paulista. Tirando é claro, a estação Sé, Barra Funda e Paraíso. E eliminando também qualquer estação às seis horas da tarde. E só para endossar, fique bem claro que estou falando do metrô, o transporte do futuro, e não do trem - a Maria fumaça. No trem tem galinha! E não vou comentar nada sobre isto.

    Irritada mesmo eu fico na estação Trianon-Masp. Porque diabos não tem escada rolante, lá? Todo dia útil subo três lances de escada, chego na avenida paulista suando (esteja o frio que estiver), com as pernas bambas e as batatas da perna choramingando (de salto alto, e algumas vezes, bem alto). Controlo a respiração e entro na recepção frigorífica do banco. O elevador não pára no quinto andar, então tenho que parar no quarto e subir, ou no sexto e descer. Vai do dia...
    Hoje desci!

    O meu trabalho, ultimamente, consiste em colocar o papel dentro do envelope e escrever o nome e número do contrato do cliente, no lado de fora. Coisa de peão mesmo. Coisa que um macaco aprenderia em duas horinhas de treinamento. E é aqui, que chega a parte em que eu chuto o pau da barraca.

    Eu sou falante e dou risada de quase tudo que se mexe... E não é por isso que eu deixo de fazer o que me é dado. Mas como eu disse acima, o envelopamento não exige a menor concentração. E eu fico fodida com isso. Já estou fazendo o trabalho de um idiota, e faço porque sei que é só essa semana, e que logo mais vou mudar de área. Mas agora eu tenho que mudar o meu jeito pra poder mostrar comprometimento? Alguém me explica onde é que rir altera o volume do trabalho? Não que alguém tenha reclamado ou tenha vindo chamar a atenção. Ninguém chamou. Mas eu percebi pelo olhar de uma vaca! Se tem um negócio que eu detesto é mulher mal comida! Homem, tudo bem, eles sabem ser legais, mas mulher não. Se não é feliz, ninguém mais pode ser. Plantando a discórdia, é o lema.
    Hoje então, resolvi fazer o teste. E me isolei do resto do mundo. Estou envelopando num cantinho abandonado. Umas cinco pessoas já vieram me perguntar se eu estou bem. Eu disse só que estou com sono. E que sono. Rir pelo menos massageava os meus músculos faciais, me fazendo acordar. Agora não, já fui no banheiro dormir dez minutinhos, e já que não estou mais massageando os músculos, vou ficar velha e caída! E imagina o meu nariz caído? Visualiza! Então eu tenho que ser uma madrasta velha pra ser considerada uma pessoa séria e comprometida dentro da companhia?

    Estou cheia desses jargões corporativos, dessa vida, dessas concepções empreendedoras. De intrometidos. Cheia da opinião de gente que não tem poder nenhum, mas que adora enfiar o seu pausinho. Vou lhes dizer onde enfiar os seus pausinhos!! Mais do que nunca, tive tanta certeza de que eu não presto pra isso. Eu prefiro ter um salário menor, e falar pelos cotovelos fazendo uma coisa que eu goste. Do que ficar aqui, rica, solitária, vendo as gotas de chuva nas vidraças.

    Comunicação, minha gente!! Comunicação!!
    Francamente... Eu to de saco bem cheio de tudo isso e mais um pouco!

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 00:05
    0 comments

    17.10.07

    Escolhendo o lado do muro.


    Uns meses atrás quando contei uns pedaços ro reinício da história pra uma amiga ela cogitou a idéia de eu ficar em cima do muro, sem saber o que fazer. Não é que hoje eu esteja em cima do muro, o problema em si é que fico cada hora de um lado. Como uma nômade. Sou uma cigana com uma trouxa na minha vara. Não que eu me arrependa. Não. Mas também não é uma coisa que eu me orgulhe. Só sei que gostaria de ter tido mais medo. Minha mãe sempre falava que eu não tinha medo e ia acabar levando um tiro, todas as vezes que reagia a algum assalto. Não levei um tiro, mas ela estava certa. Até os bombeiros sentem medo, dizia ela. Eu nunca quis ser bombeira. Talvez entrar pro exército, mas com a minha estatura, só serviria de moita.

    Hoje acordei pensando naquela segunda-feira chuvosa em que pensei em terminar com o Alexandre. As reclamações que eu tinha na época eram meio que decisivas, mas como nunca fui decidida em nada, não terminei. Sem dúvida alguma. É complicado, você esta numa relação, e esta relação está meio balançada por algum problema e como diria Murphy, aparece do nada aquele Pamonha, que virou – e que ainda, intimamente, vira – sua cabeça.

    Lembro-me que o Alexandre me fazia lembrar umas vinte vezes por dia que eu parecia estar namorando o meu próprio pai. Não que eu esteja falando mal do meu pai. Mas pai é pai. Pai trabalha pra sustentar a família, reformar a casa, pagar a nossa faculdade e nosso curso de inglês. E pai trabalha todo dia, o tempo todo. Alexandre era assim. Tínhamos 18 anos.

    Acho que só começamos a ficar porque calhamos de trabalhar juntos no meu primeiro emprego adulto. E depois de alguns meses nós dois saímos da empresa. Ele para trabalhar numa multinacional cobiçadésima e eu porque fui demitida mesmo. Segundo minha orientadora eu estava “degrais” acima dos outros. Pensando bem, era melhor sair mesmo. Não posso ficar com uma orientadora pedagógica que não sabe falar ‘degrau’ no plural.
    Uma outra coisa que atrapalhava, a distancia entre as nossas casas. De quase duas horas. Era de enfraquecer. Mas éramos dois surpreendentes, e o que não faltou nessa relação foi motivação e força de vontade. O que matava era a saudade.

    Tenho necessidade de convivência. E fins de semana apenas, não me satisfazem. Eu sei! Sou chata, grudenta... Mas quando digo que eu amo, pode olhar nos meus olhos e ver que é verdade e quando eu amo, eu vou até o fim. Hoje já não sei se isso é uma característica muito legal. Gostaria de respeitar meus limites pelo menos de vez em quando.

    Naquela segunda-feira eu pensei como seria minha vida sem ele. Decidi continuar, e tentar resolver. Não cheguei a fazer uma lista de prós e contras, mas foi quase. Escolhi ficar por ele, porque não queria ficar sozinha, não queria agüentar festas de família sozinha, passar noites de sábado sozinha. E se eu tinha alguém que me suportava eu não ia jogar isso fora de novo. Pode chamar de falta de amor próprio, mas mesmo parecendo estar namorando um pai, eu o amava. Na maior parte do tempo.
    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

    E a maior parte do tempo tornou-se a menor. E a maior parte do tempo tornou-se mais legal que a menor. A menor se tornou pesada. E menor tornou-se incomoda. A menor precisava acabar. Já não era uma questão de querer, e sim de salvação. Para que duas pessoas saíssem inteiras dessa história.

    Chorei. E encerrei uma parte de mim. Embrulhei com carinho e guardei. Estava pesado demais para que seguíssemos adiante. E sem vergonha nenhuma de dizer, estava morrendo de saudade dessa sensação de liberdade. E liberdade é apenas mais uma palavra para definir a situação de quem não tem mais nada a perder.


    Dito e feito por Mulher da Pizza. 01:06
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