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Um anjo de vestido. Uma libido do cacete.


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

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    Kibe Loco



    31.7.08

    Pedacinho de Papel

    São Paulo, 16 de fevereiro de 2008.

    Morzão,

    Sabe como é, são coisas que só a gente sabe como funciona. É cada mordida e cada apertão, cada Pringles e cada “RHUA” que a gente faz junto quando cantamos Tenha Dó do Los Hermanos. São as nossas frases feitas e mãos dadas antes de dormir.

    Tudo em você se encaixa perfeitamente em mim. Sua boca, seu cheiro, seu jeito, enfim... Quando ouço que “muito acima do asfalto, eu e a felicidade”... É por você que me permito me dominar. Por ser o presente que você é, que faz, que agrega, leva e traz.

    A minha cara de bobona e minhas gargalhadas estampadas são suas.

    Pra mim isso é amor. É ter o céu e o inferno numa pessoa só. É desmanchar o meu orgulho e me aproximar de você pra ver aquele seu sorrisinho de canto de boca.

    Três meses atrás eu não sabia que você podia me fazer tão bem. Agora tenho certeza de mais, de querer te ver e te ter. Hoje sei da minha felicidade. Aliás, tem tanto amor em mim que é difícil não saber,

    Brigada por esses três meses inteiros.
    Brigada por permanecer.

    Te adoro, tranqueira.

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 16:37
    0 comments

    21.7.08

    O tempo passa, o tempo voa...

    Quando a ressaca de sábado passou e eu vi que a morte não se precipitara, saí parar beber e comemorar sua partida. Chega certa idade que não tem mais como esconder do seu pai que você bebe e tem uma vida social. Fui, então, para uma festa a fantasia com ele e seus amigos que me carregaram no colo.

    Conheci Picanha há mais ou menos onze ou doze anos atrás. Isso que eu me lembre, é possível que tenha sido antes. Era um churrasco na casa dele, sei lá de quem, e eu fui toda poderosa com o meu biquíni laranja
    com babados e lantejoulas, acompanhada de duas amigas e nossas barbies. Ele com sua sunga do Sonic, ou seja lá de quem fosse, garanto que não era lá muito melhor do que o meu visual.

    Passamos à tarde na piscina. Lá pelas cinco da tarde, cansada daquela vida de sereia, decidi que iríamos subir no quarto do Picanha, tomaríamos um banho e colocaria roupas secas pra brincar de pega-pega no quarto escuro (eu sei que a mente de vocês, impuros, estão imaginando uma grande orgia, né?, mas eu juro que com oito anos, pega-pega no quarto escuro era uma brincadeira inocente e divertidíssima). Pois bem, subimos e ao abrir quarto por quarto descobrimos que havia hidromassagem na suíte do casal. Porque não? Nada como um banho relaxante, quentinho. Aconteceu que brincamos de Banheira do Gugu, espalhando a água por todo o banheiro, essa por sua vez escorreu pelos cantos e o teto da sala de estar começou misteriosamente a pingar. Com isso, fomos pegas no flagra pelo pai do Picanha e a comida de rabo que eu ganhei dos meus pais foi absurda.

    Me pergunto até hoje como o pai do Picanha ainda gosta de mim depois dessa.
    Passado esse episódio da piscina, eu e o Picanha continuamos indo às mesmas festas e churrascos, nos encontrando ocasionalmente. E desde que eu me conheço por gente, sempre teve um clima meio carregado no ar, como se algo estivesse pendente. Uma vez meu pai o chamou de genro porque nos encontrou trancados no carro. E eu era bobinha-bobinha, tava ouvindo musica só. O tempo passou, cresci, e arrumei mais coisas pra fazer do que sair todo fim de semana com o meu pai. De modo que de uns tempos pra cá, o pessoal só me lembrava de nome. Fui então à festa a fantasia. Eu e a minha fantasia de pirata. Rumo à guerra.

    A primeira pessoa que vi quando cheguei foi o Picanha e sua fantasia de Cowboy. Ele me deu uma xavecada de leve, fiquei na minha e me limitei a sorrir. Estava num local em que algumas das pessoas chegaram a comparecer no casamento dos meus pais. E meus pais são separados há dezessete anos..!!!

    Créu pra lá, créu pra cá... Picanha acende um cigarro. E como quem não quer nada, expliquei a situação e fomos lá fora para que eu fizesse um Malboro Light Amigo feliz. Conversamos e tal. Um friiiio. Nada além, só os olhares demorados.

    Entrei. E resolvi que ao invés de ir pra festa, iria fazer um xixizinho camarada. Fui, tive quase que despir a fantasia inteira, porque o cinto de moeda era um inferno, quando então sou parada no quintal por um menino. Alto, moreno, nem magro, nem gordo, aparelho (urgh) e uma lata de cerveja na mão. Perguntou-me o que eu tinha no copo.
    - Whisky com guaraná.
    - Você tem namorado?
    - Não – respondi, já pensando numa desculpa.
    - Você ta solteira? – Precisa humilhar?
    - To e to com o meu pai.
    Achei que essa desculpa bastaria. Mas homem é muito burro e demora demais pra saber o que é um fora ou um perdido. Quem é que fala do pai quando ta afim de alguém?
    - Ah, mas ele ta lá embaixo. Nem vai saber. Vamos fazer assim, vamos dividir esse whisky aqui e ficar os dois loucos. – disse ele.
    - Olha, - comecei calma - eu não sei você. Mas nem que eu bebesse um copo inteiro eu ia ficar louca, muito menos com esses dois dedos que tem aí. Agora me devolve que eu vou descer. – ou eu to virando tiazona experiente em matéria de bebida ou esse povo ta nascendo com meio fígado só.
    - Nossa calmaaaaa, caaalmaaa!! Deixa eu dá um gole. Me dá um abraço. – Que Mané abraço, meu amigo?!
    Limitei-me a dar uma batidinha em suas costas pra apressar o gole. Então subitamente me lembrei de algo que poderia me tirar dali. Eu e o meu copo.
    - Quantos anos você tem? – perguntei.
    - Quinze e você? – respondeu ele, contente. Orgulhoso do tipo tenho quinze-anos-e-to-bebendo-cerveja.
    Eu, lógicamente, explodi em gargalhadas.
    - Tenho vinte – aumentei um ano pra causar maior impacto. O que deu certo, pois ele deu um gole no copo e me devolveu. E ainda rindo, desci as escadas, que eram grandes e daquelas que a quina arrebenta suas costelas se você cair, ainda mais eu, uma pata-choca de salto alto.

    Créu pra lá, créu pra cá... Passa o Picanha e me dá aquele aperto na lateral da barriga, que arrepia até a nuca, que se bem dado faz uma mulher ficar entre a vida e a morte... Aí você vira pra ver quem foi, e acontece aquele olhar carregado. Aquele olhar significativo que trocamos desde os treze anos. Contei pra ele da criança que veio dar em cima de mim. E ele disse:
    - Vinte? Você tem dezenove!
    - Foi pra causar impacto, Picanha. Você tem quantos anos?
    - Dezenove.
    - E como você sabia minha idade?
    - Mulher da Pizza, você acha que eu, Picanha, vou esquecer o que sei de você? Eu, Picanha, esquecer da Mulher da Pizza? Jamais.

    Hunm... Nham nham nham..!! Ahhh, então é assim que é?!

    Ah, se eu tivesse bebido sóóó mais um pouquinho pra lascar aquele beijo de tchau que ele tanto pediu... Acho que vou ter que ir a mais alguns eventos com o meu pai. Participar mais do crescimento do meu irmão, união, sabe? Preciso estar mais presente na família.
    Veja você... A gente fica fora uns dois aninhos e as pessoas crescer e quando você se dá conta estão pegáveis e comíveis. Quem diria... Aquele pivetinho de sunga e pé de pato. Com a garotinha de laranja que desde os tempos de cabelos curtos chanel já era chamada de nora.

    Mas agora eu to na minha praia. E disso eu entendo. Vou poder usar minhas frases de efeito, jogar meu cabelo de lado e dar aquela reboladinha, porque eu sei onde to me metendo. E pela reciprocidade do olhar do Picanha, dessa vez, o pega-pega no escuro vai ter alguma coisa a mais. Canta, Pizza, caaaanta!
    Minha taça transborda...*

    PS: Freqüentarei o ETGA (Escritores de Textos Grandes Anônimos). Juro.
    * Ultimas palavras do versículo 5 do salmo 22.

    Dito e feito por Mulher da Pizza. 15:59
    2 comments

    3.7.08

    Aquele que não é meu.

    Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

    - Ah, terminei o namoro...
    - Nossa! Quanto tempo?
    - Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou
    - É não deu...

    Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que sesomam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?

    E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo, nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

    Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser opapai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquelesexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... E não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta.

    Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito denão te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa está com dúvida, problema dela. Cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.

    O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se apessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama! Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.
    Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos só.Morremos só. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando vocêacorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

    Gostar dói! Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora outro ser, outro mundo e outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

    Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar. Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?

    Não escrevi esse texto, recebi por e-mail, arrumei e postei. Nenhum crédito é meu.


    Dito e feito por Mulher da Pizza. 14:26
    3 comments

    1.7.08

    O mundo é dos homens.

    Hoje ta foda. Além da merda da TPM que por si só formam os dias mais tristes que alguém pode ter, peguei uma mini-gripe. Sabe aquela gripe que vem só com alguns sintomas chatos, que fazem a gente ir ao médico pra pegar um atestado pra provar que não pode trabalhar e tomar uma injeção na bunda que faz a perna querer abandonar o corpo de tanta dor. Tem dia que é assim e tem dia que é assim mais uma leve crise existencial.

    Crise existencial por inúmeros motivos idiotas e não tão idiotas. Porque sou mulher. A gente pode falar que é poderosa, maravilhosa e absoluta, mas qualquer merda que aquele cara faça, e olha que você nem gosta mais dele, vem e te deixa deprimida. Deprimida porque você é mulher e não tem controle dos sentimentos. Quem me dera ser homem, macho, pensando sempre com o pinto. Isso sim é vida. Como eu queria ser homem.

    Tenho a mais pura inveja desse universo que não pertenço. E por mais que eu faça uma cirurgia de troca de sexo, jamais deixaria de ser essa mulherzinha mimadinha do perfume da Dior. Deveria existir cirurgia para troca de alma, de cérebro, de psicológico... Aulas práticas e teóricas de coçação de saco e cuspida no chão.

    Sem contar que toda mulher é dependente de algum cara. Eu mesma, sou solteiríssima e na maioria do tempo sou feliz com isso, e ainda sim dependo de homem. Quem paga minha faculdade é meu pai, por exemplo. E pra você que falou "ah, mas pai é pai não é homem", digo então que quando estou sozinha penso no Repolho pra me sentir melhor. Penso nos bons tempos. E quando eu to muito cor-de-rosa, eu penso no Banana e sua escrotisse-umbigo-do-mundo pra me sentir mais ignorante-mulher-fatal. Meu humor depende dos caras que eu to pegando e dos que eu já peguei. Isso é ser auto-suficiente?

    Mulher não é bixo superior, não. Quero ver quem é que falou isso. Quero ver os argumentos dessa pessoa. Devia estar doidona e achou que só a Babilônia era suficiente para uma existência completa.

    Dizem que a gente faz muito mais coisas que os homens, e ao mesmo tempo. E de salto alto. Mas deixa a Dona sem sexo por uns 3 ou 4 meses. A bicha vai estar subindo pelas paredes, errando relatórios, comendo chocolate, se acabando na musculação da academia, com a casa cheia de gato e cachorro e chorando todo dia no chuveiro. A verdade é dolorida, mas é fato que mulher depende de pinto. Pinto de verdade. Pinto bom, não tem consolo nem dedo nem força de vontade que substitua.
    (minha profunda admiração às freiras)

    Não que eu esteja desvalorizando as mulheres e tal, não estou. É lógico que somos mais rápidas, pensamos em melhores alternativas e temos mais 700 bilhões de qualidade que homem nem sequer sabe o que é. Só que essa nossa complexidade toda faz com que os pontos positivos passem despercebido e que a gente se sinta um saco.

    Só estou falando a realidade. Porque ser mulher é cansativo, dá depressão... A gente se mata lá, pra por o peito pra cima, a barriga pra dentro, sorrir na rua, lançar aquele olhar enigmático e se equilibrar no sapato... E os caras lá no bar, combinando um futebol, um churrasco, um puterinho pra amanha a noite. E podem até furar o olho um do outro, que os amigos estão sempre lá, conversando sobre o fato com uma loira gelada na mão. Pra maioria mulher não é motivo pra fim de amizade. Agora vai lá e pega o namorado da tua amiga pra tu ver o roxo que vai aparecer no teu olho e a filha da puta ainda vai espalhar pra todo mundo aquela sua chupada no garçom no carnaval de 92.

    Mesmo que a gente se mate pra acreditar e fazer acreditar que somos auto-suficientes, vamos ao psicólogo, na manicure, no culto... Não adianta, dá uns dias... Já era! Vambora nos fantasiar de piriguete.

    Ser homem é muito mais legal.



    Dito e feito por Mulher da Pizza. 22:44
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